foto:Jim Wrightwood(James Baeza)
Agora sou eu a falar. Conheces essa palavra? Como é que se diz isto? Eu estou apaixonada por ti. O que é eu preciso de fazer para tu me veres. Nada, não faças nada. Mas pelo menos pára de olhar para todo o lado. Olha para mim. Eu preciso muito de olhar para ti. Sim, assim. (…) Repete lá. Eu não me importo, faz de mim o que quiseres. Já te disse. Tu também podes fazer o que quiseres, mas dentro de limites. Sim, tu falas muito bem e tudo, mas mesmo tudo o que dizes é verdade ou também é verdade. Há muito tempo que não dizes um único disparate. Se quiseres podes dizer um agora. Sim, é verdade. Mas tu não ligas às coisas que eu digo, e se quiseres que eu páre de falar basta pousares a tua não sobre a minha nuca. Assim. Agora és tu a falar. (...)
[Pedro Paixão], in “A noiva judia”, excerto do conto Agora sou eu a falar
