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domingo, 17 de abril de 2011

Espera

foto: vitalijj rudenko
Deito-me tarde
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu

segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa.
É então que se vê o passar do silêncio
Navegação antiquíssima e solene


[Sophia de Mello Breyner Andresen],in "Geografia"