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sexta-feira, 26 de junho de 2009

pouso no silêncio...

Hoje comprei na Wook o livro "estou escondido na cor amarga do fim da tarde" de valter hugo mãe. À vinda para casa, foi este o primeiro poema que li e que achei lindo .


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pouso no silêncio...





pouso no silêncio como um
alvo em busca do predador, os
ouvidos reversos já calados, a
noite mal fechada por onde
entram os poetas intrusos, bichos
com luz própria, dando à voz
que deixei de mostrar uma ausência
acentuada, uma
caixa da boca na forma de
caixão. poetas de medos
chantageando o livro, dando-lhe
páginas sem a minha permissão.
assim me quedo por instantes,
ocupando-me só com reflexos agudos do
luar no rio



[valter hugo mãe]

in "estou escondido na cor amarga do fim da tarde"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

agora eu era linda outra vez


Foto: Aloha Diao Lavina
.
agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor

agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor


[valter hugo mãe] in o resto da minha alegria seguido de a remoção das almas

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

ºº poema sobre o amor eterno ºº


Foto: Peter Coulson

inventaram um amor eterno. trouxeram-no em braços para o meio das pessoas e ali ficou, à espera que lhe falassem. mas ninguém entendeu a necessidade de sedução. Pouco a pouco, as pessoas voltaram a casa convictas de que seria falso alarme, e o amor eterno tombou no chão. não estava desesperado, nada do que é eterno tem pressa, estava só surpreso. um dia, do outro lado da vida, trouxeram um animal de duzentos metros e mil bocas e, por ocupar muito espaço, o amor eterno deslizou para fora da praça. ficou muito discreto, algo sujo. foi como um louco o viu e acreditou nas suas intenções. carregou-o para dentro do seu coração, fugindo no exacto momento em que o animal de duzentos metros e mil bocas se preparava para o devorar.

[valter hugo mãe] in “livro de maldições”