foto: vitalijj rudenko
Deito-me tarde
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu
segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa.
É então que se vê o passar do silêncio
Navegação antiquíssima e solene
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa.
É então que se vê o passar do silêncio
Navegação antiquíssima e solene
[Sophia de Mello Breyner Andresen],in "Geografia"