sábado, 21 de fevereiro de 2009

A Ninfa e o Sátiro

Ninfa e Sátiro (1860), de Alexandre Cabanel


Deitada na sua cama de ervas, a ninfa
espera que o sátiro regresse do bosque para a cobrir
com o manto do amor. Um sonho atravessa
a sua cabeça: o fio que se estende do centro
do labirinto até à porta do mar. À medida que
ela avista a luz da saída, um pássaro negro corta
o fio que fica para trás, impedindo que o sátiro
descubra o seu rasto.

No prado onde a ninfa se deita, os pastores
espreitam a sua nudez: a pele branca do corpo,
exposta ao sol da tarde; e os seios oferecidos
ao céu, para que as nuvens os invejem. Só o sátiro
não chega: perdido na espessura do bosque, não
tem nenhum fio que o conduza pelos seus caminhos,
até à saída onde a ninfa o espera. Mas os pastores
rodeiam-na; e ela, de olhos fechados, finge
que sonha, enquanto eles cobrem a sua nudez
com as folhas do campo.

A ninfa, porém, sacode-as com as mãos, e
o seu corpo nu, à vista dos pastores, continua
à espera do sátiro perdido nos bosques.

[Nuno Júdice], in "Geometria Variável"

2 comentários:

Natacha disse...

Adorei o novo look ;)

Quanto ao que vais deixando transcrito, faltam muitas vezes as palavras para comentar, por já estar tudo dito ;)

Mais um belo texto, de Júdice.

Beijos e Bom Carnaval ;)

Chinezzinha disse...

Ainda bem, Natacha. :)))
Estive desde o início para colocar este template mas sempre ia adiando. rss
Sobre os comentários, esquece isso.
Já reparei que certas pessoas parecem ter medo de aqui comentar. Que fazer? rss
Quanto ao Carnaval...foi festa que sempre detestei. Gosto sim, é destes dias para descansar,
:))
jinhos