quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

E naquele dia foste...

foto: Evgenia Karica

Quando chegaste, surgiste sem que eu te esperasse e entraste por mim feita onda rebelde, irrompendo pela calmaria da praia. Apareceste do nada para te fazeres no meu todo, ocupaste o vazio que me preenchia e encheste o oco que me esvaziava.  

Quando partiste, levaste a minha precisão de ti quando mais te precisava. Desconfio que foste sem me levares mas eu sei que fiquei, tendo ido. Saíste de ti para não me levares contigo; deixaste de ser tu para não me teres em ti. Fugiste, deixando para trás o que querias ser e levando o que és, sem que sejas.

Demoraste toda a minha existência a chegar mas não te prolongaste a existir ao meu lado. Pressinto que foste sem levar nada de mim mas sinto que muito de mim foi contigo.

E é este espaço, de novo, esvaziado que preencho de memórias de ti, de lembranças minhas de nós e da saudade do que poderíamos ter sido. É neste espaço que tento encher de ti que a minha alma ecoa os gritos surdos que o silêncio não cala.    


Paulo Gonçalves Ribeiro

13 comentários:

innamorato disse...

Encher a alma de vazios não está com nada.

beijito

A.S. disse...


Agora,a noite desenha gritos
de silêncio,
molha as sombras
queima as esperanças
Fustiga os desejos...
:)

Anónimo disse...

como te percebo....

bom dia

-____-

Alma disse...

Innamorato,
Diz isso a quem escreveu o texto. :))
Eu aqui apenas coloco textos que gosto e nada têm a ver com o que sinto.
Talvez tenha sido uma coincidência e mesmo se o fosse só o 1º parágrafo me diria algo.
Beijo

Alma disse...

AL,
Queima as esperanças de quê?
Mais 1 vez gostei de te ler. :)
Beijo

Alma disse...

Moon,
Vamos lá a ver. Este texto já o tinha para colocar aqui há vários dias.
Neste blog, ponho textos que leio e que gosto. Não tem a ver comigo.
Não sou o Paulo G. Ferreira, né? Foi ele que escreveu isso.
Bom dia e um beijo amigo
:)

Delfim Peixoto disse...

Gostei de sentir o que li! bj.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Visite através da minha pagina, a pagina da Pedras Nuas, certamente que vai gostar.

CÉU disse...

Um texto escrito por Paulo Gonçalves Ribeiro, que muito apreciei. É um desabafo ou vários, onde a vertente amorosa e paradoxal existe, sobremaneira. É um estar e não estar, é um ser e não ser.

Dias felizes.

Alma disse...

Ainda bem, Delfim. :)
Beijo

Alma disse...

Vou visitar, sim. :)

Beijo

Alma disse...

Céu,
Também eu gostei muito.
Dias felizes tb para ti. :)

Beijinhos

Anónimo disse...

Apetece-me dizer...fode-me