domingo, 19 de fevereiro de 2017

O dia em que saíste de mim...

foto: Dmitry Ageev
Hoje foi aquele dia… Hoje notei-me sem ti, dentro de mim. Não sei se desapareceste, pouco a pouco, ou se te foste de repente, deixando-me, afinal, este sabor a tão pouco. Hoje foi o dia em que te desabitei de mim, e o dia em que me desabituei do hábito de ti. Hoje foi o dia em que te desaluguei de mim para me arrendar sem ti.

E agora, estou num lugar vago mas desordenado, um local a precisar de arrumação, antes de necessitar de ocupação, um local a carecer de limpezas antes de ganhar outras certezas. Ainda sei o teu cheiro mas já não te emano, o meu silêncio já não sente a falta da tua voz, a minha pele já não se arrepia ao imaginar o teu toque, os meus olhos veem o que acontece e não o que apetece ver, o sexo já não se engana só com o orgasmo e o prazer não suplanta o ser.

Hoje o meu pensamento, na verdade, já não ilude a minha realidade. Hoje, a mentira desenganou-se e o engano desmentiu-se. Hoje, estou num local vazio de ti mas cheio de mim, e repleto do que quero ser sem ti.

Hoje há uma estória que não continua, porque há um começo que acabou. Tudo o que começa tem de acabar para não se viver eternos recomeços. E hoje acabou. Terminou. Encerrou. Tudo aquilo que existiu e deixou de existir, é agora mera inexistência em mim.


Paulo Gonçalves Ribeiro©

5 comentários:

innamorato disse...

Texto belíssimo mas de uma tristeza extrema.

Beijito

Alma disse...

também achei triste mas muito lindo.
descobri esse Paulo G. Ribeiro depois de ler um texto num blog.
o Paulo G. Ribeiro tem textos belíssimos.

:)

beijos

A.S. disse...

Muito lindo. Gostei!
:)

Alma disse...

acho que quanto mais o poeta está triste mais belas saem as palavras. :)
beijo

Alma disse...

poeta ou escritor*